sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Divergências põem fim à Bienal de Arquitetura


Uma desavença entre as direções da Fundação Bienal de São Paulo e da seção paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil aparentemente pôs fim à parceria das duas entidades para a montagem da próxima Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (BIA), que estava programada para 2011. O problema ficou explícito na posse de novos conselheiros da fundação, ocorrida no dia 17 de agosto, quando o presidente Heitor Martins apresentou o calendário do próximo ano. No lugar da mostra arquitetônica tradicionalmente organizada pelas duas instituições consta a realização de um evento de grande porte com o acervo do Museu de Oslo (Noruega). A ausência da BIA foi percebida e questionada por um dos conselheiros, e foi assim que o assunto veio à tona. O conselheiro Jorge Wilheim havia marcado, para uma hora antes da cerimônia de posse, uma reunião com os arquitetos que fazem parte do conselho e comunicara a eles que a bienal de arquitetura não seria montada no ano que vem.

Relações desgastadas
As relações entre o IAB/SP e a Fundação Bienal já vinham se desgastando há algum tempo. A maior parte dos conselheiros da fundação não se importa com o evento arquitetônico, que, na opinião deles, só dá dor de cabeça. Entre os arquitetos que trabalham para a realização da mostra, por outro lado, é opinião corrente que a fundação pouco auxilia na montagem da BIA, restringindo sua participação praticamente à cessão do pavilhão no parque Ibirapuera.

O choque de posições ficou evidenciado em uma troca de correspondência entre as entidades, na qual o assunto eram pendências financeiras da 8ª BIA, realizada no ano passado. Em carta datada de 20 de maio passado, a presidente do IAB/SP, Rosana Ferrari, não reconheceu a dívida de pouco mais de 164 mil reais que está sendo cobrada pela fundação. Rosana afirma que o IAB/SP na verdade tem crédito nessa operação, pois a verba da montagem do espaço ocupado pela Pirelli naquele evento foi dividida entre as duas entidades organizadoras. O tom seco da carta da presidente do instituto paulista deixou Martins irritado. Ele respondeu de forma educada, reafirmando a dívida, mas não toca no assunto do futuro da bienal.

Na própria reunião de posse, alguns conselheiros lamentaram o ocorrido e cogitaram a montagem de outro evento, sem a participação do IAB/SP. Especula-se que ele poderia ser realizado na Oca, no Ibirapuera, e organizado em parceria com a Direção Nacional do IAB (IAB/DN).

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